Pra fugir dos picaretas, faça “cara de norueguês”

Recém-formado, trabalhei num escritório no Cosme Velho e várias vezes, quando o ônibus passava no ponto do Cristo Redentor, o trocador cheio de boa intenção abria os braços imitando a estátua, gritando com sotaque de gringo: “COR-COU-VAL-DU!!! COR-COU-VAL-DU!”

Sou grandão, branco, barba clara e os poucos cabelos que me restam são de um tom que na wellaton seria, acho eu, o louro escuro. Por isso, é pra lá de comum que até mesmo na minha cidade eu seja confundido com um gringo. Basta andar por 60 segundos na areia da praia que surgem, como se fossem gremlins depois da chuva, todos – repito T-O-D-O-S – os vendedores de bugigangas turísticas: do chapéu, da garrafinha de areia com paisagens, do guarda-chuva com pontos turísticos, da escultura de areia, da canga, da pintura com spray… e todas as outras coisas cafonas e inúteis.

Não tem humor que resista. Mas sabe que se pode tirar vantagem desse biótipo? Afinal de contas, em toda e qualquer viagem há esses picaretas, verdadeiros aproveitadores de turistas que querem vender qualquer coisa a qualquer preço e, em alguns casos, aplicar golpes (na volta da viagem também há esses chatos: quem mora no Rio sabe o que é desembarcar no Galeão e pelos corredores do aeroporto haver sujeitos oferendo táxi a altos brados e a preço extorsivo). Se me acham gringo, então eu serei um! Mas não um gringo “genérico”, que entenda inglês macarrônico , mas sim aquele que ao ouvir urros guturais faça uma cara que é um misto de “não estou entendendo” com “não falo sua língua” e pitadas de “vê se não fode” e “quero que você morra!”.

Com vocês, os vários níveis do fazer “cara de norueguês”.

A “cara de norueguês”, apesar do nome e de sua origem no meu shape, digamos, sem gingado, é universalmente aplicável. E acredite: funciona! Com ela, é possível se safar de inúmeras furadas e perrengues, em variadas situações de aporrinhação e constrangimento.  Basta aplicar os padrões acima enumerados com cuidado e sabedoria, de acordo com o contexto.

Mas se nada funcionar… Não hesite! Use o nível extremo.

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Sobre Leo Name

Professor do Departamento de Geografia da PUC-Rio.

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