Viajando pelo mundo com Indiana Jones!

Desde suas origens, fotografia e cinema foram artes itinerantes e viajantes,  com intenção documental e científica (geográfica, etnográfica, zoológica e botânica), e tornaram-se parte da cultura de viagem ao registrar e reproduzir imagens dos mais diversos cantos do globo. Fotos e filmes de lugares “exóticos” são, no fundo, pulsantes amostras de um  desejo imperialista, ainda presente, que  inicialmente foi saciado através de épicos da literatura de viagem. Mas diferentes destes romances, que eram entretenimento individual e letrado, fotografia e cinema são de massa e para a massa e nunca precisaram de instrução para seu consumo.  Seja para filmes documentais ou ficcionais, câmeras cinematográficas até hoje vêm construindo representações que têm enorme poder de persuasão sobre a audiência, e que, inevitavelmente, perpetuam conhecimentos um tanto enviesados sobre “terras distantes”.

Não seria exagero dizer que os filmes de aventura são provavelmente o gênero cinematográfico em que tal situação se apresenta de forma mais aguda: personagens como James Bond, Allan Quatermain e Tomb Raider, por exemplo, mesmo que não tenham sua origem no cinema, têm suas narrativas aventurescas comprometidas com um ponto de vista estadunidense/eurocêntrico que olha os lugares como “primitivos”, “atrasados”, de “baixa cultura” ou com pessoas de “má índole”.

Todos esses personagens viajam pelo mundo. E de forma tão ou mais evidente do que eles, é a maneira como viaja o arqueólogo Indiana Jones (vivido por Harrison Ford e criado por George Lucas na clássica trilogia dos anos oitenta, dirigida por Steven Spielberg – Os caçadores da arca perdidaIndiana Jones e o templo da perdição e Indiana Jones e a última cruzada). Viajando mundo afora em meados da década de trinta, o herói estadunidense percorre lugares do Oriente e dos Trópicos, mais especificamente do Terceiro Mundo.  E, sempre em busca de objetos sagrados, interage com nativos subservientes ou traiçoeiros, trava contato com culturas “exóticas” e cultos “estranhos” e desafia poderes políticos não-laicos e corruptos.  No frenesi da ação heróica representada em seus filmes, Indiana Jones em alguma medida justifica, naturaliza e por vezes até mesmo celebra a presença colonizadora, europeia e estadunidense em espaços alhures, como os da África, Ásia e América do Sul.

Vale lembrar que ele tem um chicote, com o qual laça mulheres, e que mata orientais sem pestanejar. Há quem fique de mau humor com isso.  Será que é para tanto?

OBSERVAÇÕES:

  1. Quem tiver interesse, pode baixar um texto acadêmico sobre o assunto aqui.
  2. O mapa acima, feito em época que O Reino da Caveira de Cristal ainda não tinha sido produzido, é obra de amiga querida, a arquiteta Paula Garcia.
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Sobre Leo Name

Professor do Departamento de Geografia da PUC-Rio.

  1. Excelente post. Tinha um professor meu que dizia que Hollywood é um excelente meio de se entender as relações internacionais, tb com os filmes de super heróis americanos ou os Rambos e Rocks (os da época da Guerra Fria então….).
    Agora, Indiana fica no subconsciente né? Estavamos no Cementerio de Trenes, na Bolívia e lembramos justamente dele. Fizemos ate um vídeo boboca rsrs ,

    Os caçadores do ar perdido

    Mas dps desse txt fiquei me sentindo até mal, me afeiçoei aos bolivianos, não quero ser uma brasileira imperialista rsrs
    abs,

  2. Gabriel Vicente

    Link quebrado… :\

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