Voo da Taca do Rio a Lima

Era pra ser mais fácil, pois era um voo direto, sem escalas, saindo ao alvorecer do dia. Tudo bem que era a sexta anterior ao carnaval mas nem nos meus piores pesadelos eu estava pronto para enfrentar a enorme fila instalada em frente ao guichê da Taca às 4:30 da manhã. Iniciava-se, em tom de mau humor, minha viagem ao Peru, no dia 17 de fevereiro.


Foi mais ou menos uma hora de espera até chegar ao guichê. Descobri ao longo dessa jornada que Lima é escala para dezenas de destinos que a companhia faz – Punta Cana, Nova Iorque, Miami, Cidade do México… – por isso havia a super-lotação de passageiros. E não foi só na fila: o voo atrasou e a aglomeração de gente só crescia .

É claro, perto de mim se sentou um grupo ENORME de caipiras que estavam indo para Miami, com uma guia turística sexagenária e obesa, que tava se achando ultra hot numa blusa apertada que mais parecia um top . E foi por esse grupo que se espalhou o boato de que os funcionários da Taca estavam recrutando voluntários para permanecer no Rio – e ganhar 400 dólares de diárias, para desafogar o voo ( a empresa teria vendido passagens de mais). Desesperado eu fiquei, achando que não decolaria.


Nesse tempo, pude pensar em inúmeras paranoias: de quantas maneiras diferentes uma vião pode explodir, qual o total de acidentes da Taca e,  também,  passei a achar que minha mala era muito convencional e que algum passageiro iria pegá-la confundindo com outra. A mala já tinha sido despachada, mas por vias da dúvida comprei esses adesivos aí ao lado para o transporte dela no restante da viagem.

Acho que a companhia resolveu o problema das passagens, porque ninguém teve que ir pra casa. Mas o voo decolou com 50 minutos de atraso.

Por dentro, o avião tinha um ar-condicionado potente – a gente via a fumacinha saindo das grelhas. Não era muito espaçoso, mas também não era um busão que voa. A equipe era atenciosa, mas não falava português. O espaço entre as pernas para mim, que tenho 1.82m, era justo, mas não cheguei a ter a perna pressionando contra a cadeira de quem estava na frente (ver foto à direita). Cada um dos passageiros ganhou um travesseiro e uma manta para se cobrir.

Problemas? Não chegou a ser como um #webvoodadepressão, mas claro que houve: como sou sortudo pacas, só que não, sentei do lado de parte dos caipiras a caminho de Miami. Houve várias turbulências brabas, mas não temi ou tremi, pois a menina que sentou na poltrona vizinha era tão mas tão medrosa com avião, que me senti zen budista (ela chegou a soltar um “Ai meu Deus, como tem buraco essa estrada!”  e eu ri. Foi educativo ver nela o quanto sou ridículo e patético)Na hora do pouso, estava lendo essa CartaCapital da foto e só senti o que havia quando a roda encostou na pista. Não foi um sustinho bacana.

Aeromoças e comissários nos serviram um café da manhã. Vinha numa caixa bontitinha e para os padrões brasileiros que nos impões, achei bem farto, como a fotinho ao lado mostra: tinha uma torta meio doce e melada demais, um pãozinho, manteiga, um bolinho e mini salada de frutas.

Cheguei em Lima pro volta das 9:40, as filas na parte de imigração eram imensas. Depois delas havia uma outra  fila, de uma espécie de alfândega, que durava horas e revistavam pessoas  para ver se o que traziam obrigava-as a pagar imposto para entrar (cheguei a ver uma moça que era claramente moambeira tendo suas mercadorias confiscadas).

Fiquei nervoso com esse festival de filas, e na saída do aeroporto cismei que tinha perdido meu celular. Botei o aeroporto todo pra proucar (achava realmente que tinha esquecido sobre a mesinha onde você preencha ficha). Até que ponho a mão no bolso das costas da calça e ele estava ali. Evidentemente mantive o teatro e por mais uns quinze minutos me fingi preocupado em achar o aparelho. O que não foi mentira foi eu ter esquecido O PASSAPORTE sobre o balcão de táxi e a vendedora ter saído correndo atrás de mim para me devolver. Cheguei em Lima já causando.

Falando no táxi. Eles são insuportavelmente picaretas e te abordam em qualquer lugar. Isso provavelmente merecerá um post, mas vale a pena avisar que a) não existe taxímetro no Peru; b) os carros são quase todos muito velhos; c) diante disso eu preferi pegar um táxi semelhantes a aqueles especiais do Rio de Janeiro que custou a bagatela de 45 DÓLARES.

Não tem humor que resista.

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Sobre Leo Name

Professor do Departamento de Geografia da PUC-Rio.

Um Comentário

  1. Geraldo

    Há necessidade de comprovante de vacina contra febre amarela? Tem alguma taxa a ser paga no desembarque????

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