Tudo ao mesmo tempo em Miraflores: entre buzinaços, espelhos e marcas

Finalmente consigo voltar a postar – e me desculpem pela demora.

Como já disse, em Lima fiquei hospedado no bairro Miraflores – considerado zona nobre da cidade –, mas bem perto da praia – e, diferente de no Brasil, praia no Peru não é grande coisa. O agito está bairro adentro, nas duas grandes praças lado a lado e que são praticamente seu símbolo: o Parque Central de Miraflores e o Parque Kennedy.

A vantagem de ficar a algumas quadras distante foi ser “obrigado” a andar, praticamente todos os dias, por toda a Avenida José Pardo, via aberta no início do século XX cujo desenho contém grande boulevard arborizado que lhe corta de ponta a ponta.

A parte boa: é bem comum ver limenhos por ali correndo, descansando nos bancos ou namorando na grama, o que torna o percurso bem agradável mesmo.

A parte bem irritante: os taxistas de Lima passam o tempo todo pela José Pardo buzinando para QUALQUER PESSOA (Mas se você, mulherrrrrrrrrrr, estiver com a auto-estima em baixa, dê um pulinho em Miraflores e finja que o buzinaço é para seu corpão!).

Na parte da manhã, o Parque Central e o Parque Kennedy, que têm rede wi-fi e são bem verdes, cheios de flores, têm casais namorando, barraquinhas de churros, adolescentes lendo ou estudando em seus bancos e anfiteatros enterrados,  muita gente passando para lá e para cá e outros quitais.

A imponente  Iglesia Medalla Milagrosa se destaca, porém mais divertida é a escultura de água em frente a ela – fiquei horas tirando fotos.

Mas há, porém, o que assuste na Avenida José Pardo e seus parques.

Não, não… não é isso. O que ocorre é que parece que tudo, absolutamente tudo, tem que acontecer ali.

Além de área de lazer e de flânerie descompromissada, concentram-se por ali e arredores cassinos, como o indefectível Tropicana, cujo letreiro faz o Brasil parecer nórdico.  Miraflores é centro das jogatinas que no nosso país são (supostamente) proibidas.

Além dos cassinos, há edifícios de tamanhos avantajados e vidros espelhados reluzentes e escalafobéticos que fariam a Barra da Tijuca, no Rio, parecer discreta – e suspeito que os parâmetros urbanísticos tenham recentemente mudado, lançando uma corrida imobiliária,  porque por toda parte revelavam-se andaimes e guindastes. Miraflores é, também, centro financeiro.

Mas nada me revelou mais desse “tudo ao mesmo tempo agora” do que a profusão de logomarcas que se concentrava em volta das duas praças principais, o Parque Central e o Parque Kennedy.

SERIÃO… É desconcertante: KFC, MacDonalds, Haiti (um restaurante local), La Curaçao, outdoors imensos presos nas fachadas do Shopping Falabella… Infelizmente nenhuma foto que eu poste aqui dará conta de mostrar esse palimpsesto de nomes, grafismos, marcas e luzes.

Robert Venturi teria orgulho. Aliás…

Okay, deixa pra lá.

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Sobre Leo Name

Professor do Departamento de Geografia da PUC-Rio.

Um Comentário

  1. Pingback: Miraflores à noite « O guia do viajante mal-humorado

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